terça-feira

O HOMEM MAIS RICO DA BABILÔNIA

O HOMEM MAIS RICO DA BABILÔNIA
George S. Clason

Uma seleção das melhores frases feita por Tom R. especialmente para o blog MAIS DE MIL FRASES DE EFEITO.
Se reproduzir este texto em algum outro veículo de comunicação, preserve os créditos acima.

A nossa frente estende-se o futuro como uma estrada que se perde na distância. Ao longo dela há ambições que queremos realizar... desejos que queremos satisfazer.

Para ver concretizadas essas ambições e desejos, precisamos ser bem-sucedidos em relação ao dinheiro. Use os princípios finan­ceiros apresentados nas páginas que se seguem. Deixe que eles o tirem das dificuldades acarretadas por uma carteira vazia e lhe proporcionem a vida plena e feliz que uma carteira cheia pode tornar possível.

Como a lei da gravidade, esses princípios são universais e imutáveis. Espero que lhe propiciem, como o fizeram para muitos outros, os meios eficazes para uma carteira cheia, uma bela conta bancária e um satisfatório progresso financeiro.

Este livro, que apresenta soluções para a falta de dinheiro, tem sido considerado um guia para o entendimento financeiro. Seu propósito é realmente este: oferecer àqueles que ambicio­nam o sucesso financeiro um insight que os ajudará a ganhar dinheiro, poupá-lo e fazer com seus lucros ainda mais dinheiro.

A Babilônia tornou-se a cidade mais opulenta do mundo antigo porque seus cidadãos eram o povo mais rico de sua época. Eles sabiam estimar o valor do dinheiro e praticavam princípios financeiros saudáveis na aquisição de dinheiro, na idéia de poupá-lo e de fazer com que suas economias produzissem mais dinheiro ainda. Conseguiam para si mesmos o que todos nós hoje desejamos... uma renda para o futuro.

O dinheiro é o meio através do qual se avalia o sucesso terreno.

O dinheiro torna possível o gozo das melhores coisas que a terra pode oferecer.

O dinheiro é abundante para aqueles que compreendem as leis simples que governam sua aquisição.

O dinheiro é hoje governado pelas mesmas leis que o controlavam quando, há seis mil anos, homens prósperos enchiam as ruas da Babilônia.

— Deve ser mesmo um tormento dos deuses — disse Bansir, concordando.
— Tudo começou com um sonho, um sonho sem sentido onde me via como um homem de posses. De meu cintu­rão pendia um belo saco, pesado de tanta moeda. Dali retirava punhados de siclos, que eu lançava, com uma liberalidade descuidosa, aos mendigos; havia moedas de prata com que eu com­prava presentes para a esposa e o que bem desejasse para mim mesmo; havia moedas de ouro que me tranqüilizavam quanto ao futuro e me deixavam sem medo de gastar à vontade as moe­das de prata. Uma sensação magnífica de contentamento enchia o meu peito! Você não teria reconhecido o seu velho e diligente amigo. Como não teria reconhecido minha mulher, com suas faces saudavelmente rosadas e sem rugas. Ela era novamente a mocinha sorridente de nossos primeiros anos de casados.
— Ele é considerado o homem mais rico de toda a Babilônia — refletiu Bansir.
—Tão rico que o próprio rei, segundo se diz, busca sua valiosa ajuda para os negócios do tesouro — replicou Kobbi.
— Tão rico — acrescentou Bansir — que, se o encontrasse casualmente numa noite escura, seria capaz de enfiar minha mão em sua gorda algibeira.
—Tolice — reprovou Kobbi —, a riqueza de um homem não se acha na bolsa que ele carrega. Uma bolsa gorda fica logo vazia se não houver um constante fluxo de ouro. Arkad tem ren­dimentos que conservam suas reservas sempre altas, por maior que seja a liberalidade com que gasta dinheiro.
— Rendimentos, essa é a questão — exclamou Bansir. — Quero ter uma renda fluindo continuamente para minha bolsa, esteja eu sentado sobre o muro ou viajando em terras distantes. Arkad deve saber como um homem pode criar uma renda para si mesmo. Supõe que se trate de alguma coisa que ele poderia deixar claro para uma mente tão lenta como a minha?
— Parece-me que ele transmitiu seus conhecimentos ao filho, Nomasir—respondeu Kobbi. — Este não foi para Nínive e, como se comenta na estalagem, não se tornou, sem a ajuda do pai, um dos homens mais ricos dessa cidade?
— Kobbi, você acaba de me propiciar um raro pensamento.
— Um brilho novo surgiu nos olhos de Bansir.—Não custa nada buscar conselho junto a um bom amigo, e Arkad sempre se mostrou como tal para nós dois. Pouco importa que nossa bolsa esteja tão vazia como o ninho de um falcão abandonado há um ano. Não deixemos que isso nos detenha. Estamos fartos de não ter ouro no meio de tanta opulência. Queremos tornar-nos homens de posses. Vamos, vamos procurar Arkad e perguntar-lhe tomo também nós podemos adquirir uma renda para nós mesmos.

— Você, Arkad, é mais venturoso do que nós. Você se tornou o homem mais rico de toda a Babilónia, enquanto nós lutamos para sobreviver. Pode usar as mais finas roupas e degustar as mais requintadas iguarias, enquanto nós devemos nos dar por satisfeitos se apenas propiciamos à família uma indumentária decente ou a alimentamos da melhor maneira possível.
"Contudo, alguma vez fomos iguais. Tivemos o mesmo pro­fessor, participamos das mesmas brincadeiras, e nem nos es­tudos nem nas brincadeiras você se sobressaiu mais do que nós. E nos anos que se seguiram você foi um cidadão tão honrado quanto nós.
"Tampouco trabalhou mais duro ou mais assiduamente, pelo menos até onde sabemos. Por que então deveria o caprichoso destino escolhê-lo para gozar de todas as boas coisas da vida e ignorar-nos, a nós que igualmente somos merecedores?
Após o que Arkad protestou com eles, dizendo por sua vez:
— Se vocês não adquiriram mais do que uma pobre existência desde os tempos em que éramos jovens, isso se deve a que não conseguiram aprender ou não observaram as leis que governam a acumulação de riqueza.

"O 'voluntarioso Destino' é um deus cheio de malícia que não assegura um bem duradouro para ninguém. Ao contrá­rio, ele traz ruína para quase todo homem sobre quem faz cho­ver ouro não conquistado. Ele produz os gastadores libertinos, que logo dissipam tudo o que recebem e se deixam dominar pe­los mais extravagantes apetites, que nem sempre podem satis­fazer. Outros ainda, a quem esse caprichoso deus favorece, tornam-se avarentos e entesouram sua riqueza, temendo des­pender o que têm por saberem que não são capazes de repô-lo. São além disso assediados pelo medo de roubo e acabam cons­truindo para si mesmos uma vida de necessidades e secreta tristeza.

"Há provavelmente outros que conseguem dinheiro fácil e o aumentam, sem deixar de se sentirem felizes e abastados cida­dãos. Mas são tão poucos que só sei deles por ouvir dizer. Pen­sem nessas pessoas que de repente se viram herdando uma ri­queza e confiram se as coisas não se passam assim."

Os amigos admitiram que a respeito dos conhecidos que tinham herdado uma fortuna aquelas palavras eram realmente verdadeiras e suplicaram-lhe que explicasse a eles como tinha conseguido juntar tantos bens.

— Ainda em plena juventude — continuou Arkad —, eu olhava em minha volta e observava todas aquelas boas coisas capazes de propiciar felicidade e contentamento. Percebi então que a riqueza aumentava ainda mais a potência delas.

"A riqueza é um poder. Com a riqueza, muitas coisas se tornam possíveis.

"Este pode embelezar sua casa com os móveis mais refinados.

"Aquele pode viajar pêlos mares distantes.

"Esse outro pode regalar-se com as finas iguarias de terras longínquas.

"Outro mais pode comprar ornamentos lavrados em ouro ou cravejados de pedras preciosas.

"Pode-se mandar construir templos magníficos para os deu­ses.

"E possível, enfim, fazer todas essas coisas e muitas outras, onde sempre haverá deleite para os sentidos e gratificação para a alma.

"E, quando percebi tudo isso, declarei a mim mesmo que reivindicaria o meu quinhão entre as boas coisas da vida. Não seria nenhum desses que se mantêm a distância, observando invejosamente os prazeres do outro. Não me contentaria em vestir roupas baratas que parecem respeitáveis. Não me daria por satisfeito com a parte que cabe a um homem pobre. Ao contrário, faria de mim mesmo um conviva nesse banquete de boas coisas.

"Sendo, como sabem, filho de um humilde comerciante, membro de uma grande família sem qualquer expectativa de herança, e não me achando dotado, como me disseram vocês com tanta franqueza, de poderes superiores ou talentos es­peciais, decidi que, se realmente quisesse conseguir tudo o que desejava, precisaria basicamente de tempo e estudo.

"Todos os homens têm tempo em abundância. Cada um de vocês vem deixando escapar tempo suficiente para tornar-se rico. E ainda, como admitem, não têm nada para apresentar se­não suas boas famílias, de que, aliás, podem com justiça orgu­lhar-se.

"Quanto ao estudo, nosso sábio professor não nos ensinou que o aprendizado consistia em dois tipos: o primeiro cuidando das coisas que aprendíamos e sabíamos, o outro baseando-se na prática que nos ajuda a encontrar aquilo que não conhecemos?

"Assim, resolvi-me a investigar como alguém consegue acu­mular riqueza e, quando descobrisse, tornar tal coisa minha própria tarefa e realizá-la bem. Pois não é justo que devamos gozar enquanto permanecemos sob a brilhante luz do sol, compensando os sofrimentos que teremos de enfrentar quando par t irmos para a escuridão do mundo do espírito?

"Empreguei-me como escriba na sala de registros e todos os dias trabalhei horas sem conta sobre as tabuinhas de argila. Semana após semana, mês após mês, dei um duro danado sem que os meus vencimentos dessem mostras de crescer. Comida, roupa, os compromissos para com os deuses, além de outras coisas de que já não consigo lembrar-me, consumiam tudo o que eu ganhava. Mas minha determinação continuou de pé.

"Então ele me olhou com perspicácia por baixo das peludas sobrancelhas e disse num tom lento e enérgico: 'Achei o cami­nho para a riqueza quando decidi que conservaria comigo uma parte de tudo que ganhasse. E assim fará você.'

"E continuou me olhando com uma insistência que parecia ir ao fundo de minha alma, mas não disse mais nada.

" 'É tudo?', perguntei.
" 'Foi o suficiente para transformar o coração de um pastor de ovelhas no coração de um emprestador de dinheiro', replicou ele.
" 'Mas tudo o que ganho não vem mesmo para o meu bolso?', perguntei.
" 'Nada mais falso', respondeu ele. 'Você não paga pelas roupas e pelas sandálias que usa? Não paga pelas coisas que come? Consegue viver na Babilónia sem fazer despesas? O que tem para apresentar do que recebeu no mês passado? E de tudo quanto ganhou no último ano? Louco! Você paga a todo mundo, menos a si mesmo. Idiota, está trabalhando para os outros. Bem melhor do que isso faz o escravo, que trabalha para o seu dono em troca de roupa e comida. Se guardasse para si mesmo um décimo de tudo o que ganha, quanto teria dentro de dez anos?'
"Meu conhecimento dos números não me desamparou, e respondi: 'Ora, o equivalente a um ano de trabalho.'
" 'Pois está dizendo apenas meia verdade', retorquiu ele. 'Cada moeda de ouro que economizar é um escravo que pode trabalhar para você. Cada cobre que essa moeda produzir torna-se um filho apto a levantar mais fundos. Se quiser tornar-se rico, então tudo o que você economizar deve ser utilizado no sentido de proporcionar-lhe toda a abundância por que anseia.'

" 'Você pensa que o estou ludibriando por sua longa noite de trabalho', continuou ele, 'mas em minhas palavras há uma fortuna, se for suficientemente inteligente para perceber a verdade que acabo de pôr em suas mãos.'

" 'Uma parte de tudo o que ganha pertence exclusivamente a você. No mínimo, um décimo, mesmo nas ocasiões em que ti­ver recebido pouco dinheiro. Pode ser mais, de acordo com o que produzir. Pague a si mesmo primeiro. Não compre ao faze­dor de roupas ou ao fazedor de sandálias mais do que possa pagar com o restante, devendo ainda separar o bastante para alimen­tar-se, ajudar o próximo e pôr em dia as obrigações com os deuses.'

" 'A riqueza, como uma árvore, cresce a partir de uma simples semente. A primeira moeda de cobre que economizar será a semente a partir da qual sua árvore da riqueza crescerá. Quanto mais cedo plantá-la, mais cedo a árvore crescerá. E quanto mais fielmente alimentar e regar essa árvore com economias cons­tantes, logo chegará o dia em que poderá abrigar-se em pleno contentamento embaixo de sua sombra.'

"Tendo dito isso, pegou suas tabuinhas e foi embora.

"Pensei muito a respeito do que ele me dissera, e suas pala­vras me pareceram razoáveis. Assim, decidi fazer a experiência. Sempre que recebia um pagamento, tirava e guardava uma em cada dez moedas de cobre. E, estranho como possa parecer, não fiquei mais desprovido de fundos do que antes. Percebi peque­na diferença quando comecei a me arranjar sem isso, mas freqüentemente me via tentado, à medida que minha reserva crescia, a utilizá-la para adquirir as boas coisas que os mercadores ofereciam, objetos trazidos por camelos e navios da terra dos fenícios. Prudentemente, porém, consegui refrear o impulso.

" 'Arkad', continuou ele, 'você aprendeu bem suas lições. Aprendeu primeiro a viver com menos do que podia ganhar. Depois aprendeu a aconselhar-se junto àqueles cuja competên­cia deriva de suas próprias experiências. E, finalmente, apren­deu a fazer o ouro trabalhar para você.
"Assim, fui para Nippur e comecei a administrar suas proprie­dades, que eram imensas. E como estivesse cheio de ambição e dominasse as três leis que nos ensinam a lidar de maneira exitosa com a riqueza, tive condições de aumentar ainda mais o valor de seus bens. Prosperei muito e, quando o espírito de Algamish partiu para a esfera da escuridão, vi-me como um beneficiário legalmente reconhecido de sua herança."
Assim falou Arkad, e, quando terminou sua narrativa, um dos amigos ali reunidos disse:

— Você inclusive deu a sorte de que Algamish o tivesse nomeado um de seus herdeiros.
— Minha sorte limita-se ao fato de que desejava prosperar antes de tê-lo encontrado pela primeira vez. Não tive que provar durante quatro anos minha determinação de propósito, reser­vando para mini mesmo um décimo de tudo que auferia? Você chamaria de sortudo o pescador que, tendo passado anos es­tudando os hábitos dos peixes, por uma simples mudança do vento soubesse onde jogar sua rede? A oportunidade é uma deusa desdenhosa que não perde tempo com os que não estão preparados.
— Se o que diz é verdadeiro — aparteou um terceiro interlo­cutor — e parece, como afirmou, razoável, sendo tão simples, se todos os homens o fizessem não haveria bastante riqueza para todos.
— A riqueza cresce onde quer que os homens empreguem energia — replicou Arkad. — Se um homem rico constrói um novo palácio para si, o ouro despendido vai embora? Não. O oleiro, o operário e o arquiteto participam desse ouro. E quem quer que trabalhe na obra participa dele. Mesmo depois de construído, o palácio não vale tudo quanto custou? E o terreno sobre o qual se ergue não passa a valer mais pelo próprio fato de abrigá-lo? E os terrenos circunvizinhos não se tornam igual­mente valorizados? A riqueza cresce através de meios mágicos. Ninguém pode estabelecer um limite para isso. Não cons­truíram os fenícios grandes cidades em costas inóspitas com a riqueza proveniente de seus navios mercantes?
— O que poderia nos aconselhar para que também nós nos tornemos ricos — perguntou um outro dos amigos. — Os anos passaram, não somos mais jovens e não guardamos nada.
— Aconselho-os a fazer uso da sabedoria de Algamish e dizer a si mesmos: "Uma parte de tudo o que eu ganhar pertence a mim." Digam isso pela manhã assim que acordarem, à tarde, à noite, em todas as horas do dia. Digam isso a si mesmos até que as palavras se transformem em letras de fogo gravadas no céu.

"Impregnem-se com a idéia. Ocupem toda a alma com esse pensamento. E assimilem tudo que lhes pareça sábio. Separem não menos de um décimo e economizem. Façam todas as despesas necessárias, mas poupem primeiro essa pequena cota. Cedo vão experimentar a deliciosa sensação de um tesouro cuja posse cada um de vocês tem legitimamente condições de reivin­dicar. Quanto mais ele crescer, mais se verão estimulados. Vi­brarão com uma nova alegria de viver. Encararão a possibilidade de maiores esforços para ganharem mais. Pois não estarão reser­vando, sobre os lucros maiores, a mesma percentagem?

"Aproveitem a vida enquanto estiverem aqui. Não exagerem nem tentem economizar demais. Se um décimo de tudo que ganharem é o que vocês podem confortavelmente poupar, con­tentem-se com essa porção. Por outro lado, vivam de acordo com suas rendas e não sejam sovinas nem temerosos ao gastar. A vida é boa e rica com coisas que valham a pena e causem prazer."

“Uma parte de todos os seus ganhos pertence exclusivamente a você”

No dia seguinte, como o rei havia determinado, Arkad apre­sentou-se diante dele lépido e fagueiro, a despeito de seus setenta anos de idade.
— Arkad — disse o rei —, é verdade que você é o homem mais rico da Babilónia?
— É o que se costuma dizer, majestade, sem que ninguém tenha aparecido para contestá-lo.
— Como se tornou tão rico?
— Aproveitando as oportunidades disponíveis a todos os cidadãos de nossa boa cidade.
— Mas naturalmente começou com alguma coisa...
— Somente com o desejo de ser rico. Além disso, mais nada.

Arkad — continuou o rei —, nossa cidade encontra-se numa péssima situação, porque alguns poucos sabem como ganhar dinheiro e, conseqüentemente, monopolizam-no, enquanto a massa dos cidadãos não sabe guardar uma parte sequer do que recebem.
"É meu desejo que a Babilónia seja a cidade mais rica do mundo. Precisa portanto ser uma cidade de muitos homens ricos. Assim, temos de ensinar a todas as pessoas como adquirir riqueza. Diga-me, Arkad, existe algum segredo para isso? Tra­ta-se de algo que possa ser ensinado?"
— Naturalmente, majestade. Tudo o que um homem co­nhece pode ser ensinado a outros.
 Os olhos do rei brilharam.
— Arkad, você acaba de pronunciaras palavras que eu queria ouvir. E se você mesmo se incumbisse dessa nobre causa? Não gostaria de formar com seus conhecimentos uma escola de professores, cada um dos quais educaria outros até que tivés­semos um quadro amplo o bastante para levar essas verdades a todos os súditos honestos de meu reino?
Arkad inclinou-se e disse:
— Sou um humilde servo a suas ordens. Darei de bom grado todo o conhecimento que possuo pelo aperfeiçoamento de meus semelhantes e pela glória de meu rei. Faça com que seu bom chanceler me arrume uma turma de cem homens e lhes ensi­narei essas sete soluções que acabaram por resolver todas as minhas questões de dinheiro, quando, talvez, no início, não houvesse em toda a Babilônia um cidadão mais atrapalhado do que eu.

"Assim, explicarei aos que se acham reunidos nesta sala as sete soluções para a falta de dinheiro, que recomendo a todos aqueles que anseiam por bastante ouro. Consagrarei cada um dos dias da semana a um desses remédios.

"Ouçam atentamente tudo quanto lhes disser. Debatam o assunto comigo. Discutam-no entre vocês mesmos. Aprendam meticulosamente estas lições, para que também possam plantar em suas próprias bolsas a semente da riqueza. Primeiro cada um de vocês deverá sabiamente construir a própria fortuna. Quando tiverem acumulado competência suficiente para isso, estarão aptos a passar adiante tais verdades.

"Ensinar-lhes-ei meios simples para engordar a própria bolsa. Este é o primeiro degrau que conduz ao templo da riqueza, aonde ninguém pode chegar se não tiver condições de pôr fir­memente os pés nesse primeiro degrau.

"Consideremos agora a primeira solução."
A PRIMEIRA SOLUÇÃO
Comece a fazer seu dinheiro crescer
— Muito bem — continuou ele —, agora vou comunicar-lhes o primeiro remédio que aprendi para solucionar o problema da falta de dinheiro. Façam exatamente como sugeri ao vendedor de ovos. Para cada dez moedas que colocarem em suas bolsas, não retirem para uso próprio mais do que nove. A bolsa começará a ficar estufada, e seu peso cada vez maior será uma fonte de prazer para as suas mãos e uma fonte de bem-estar para as almas.

"Não zombem do que eu digo por causa de sua simplici­dade. A verdade é sempre simples. Disse que lhes contaria como construí minha fortuna. Foi esse o meu começo. Eu andava invariavelmente quebrado e detestava isso porque não podia satisfazer meus desejos. Mas, desde que comecei a reti­rar de minha bolsa não mais de nove cotas das dez que ali depositava, ela começou a engordar. O mesmo acontecerá com vocês.

"Agora lhes falarei de uma estranha verdade cuja razão desco­nheço. Quando deixei de desembolsar mais do que nove déci­mos de meus ganhos, iniciei minha carreira de êxitos. Não fiquei mais desprevenido do que antes. Ao contrário, as moedas come­çaram a aparecer com maior freqüência. Certamente é uma lei dos deuses que, para aquele que poupa e não gasta uma deter­minada parte de seus ganhos, o dinheiro virá mais facilmente. De modo curioso, ele costuma evitar aquele cuja bolsa se man­tém sistematicamente vazia.

A SEGUNDA SOLUÇÃO
Controlem seus gastos
Gostaria portanto de lhes fa­lar sobre uma extraordinária verdade a respeito dos homens e de seus filhos. O que costumamos chamar de "despesas neces­sárias" sempre crescerá para tornar-se igual a nossos rendimen­tos, a menos que façamos alguma coisa para inverter essa ten­dência.

"Não confundam despesas necessárias com desejos. Cada um de vocês, junto com suas boas famílias, tem mais desejos do que seus ganhos podem satisfazer. Conseqüentemente, tudo quanto recebem é despendido para aplacar tais desejos à medi­da que eles surgem. E ainda assim restam muitos outros que não chegam a ser saciados.

"Na verdade, todos os homens têm mais desejos do que po­dem satisfazer. Acham que posso cumprir todos os meus so­nhos porque sou rico? Trata-se de uma falsa idéia. Há limites para o meu tempo. Há limites para a minha energia. Há limi­tes para a extensão de minhas viagens. Há limites para o que consumo à mesa de refeições. Há limites para os prazeres de minha vida.

"Garanto-lhes que, do mesmo modo como as ervas daninhas crescem num campo onde o fazendeiro deixa espaço para suas raízes, assim também os desejos crescem livremente no coração do homem capaz de saciá-los. Os desejos são uma multidão, mas aqueles que cada um de vocês pode satisfazer reduzem-se a um punhado.

"Examinem cuidadosamente seu modo habitual de viver. Tenho absoluta certeza de que se defrontarão com alguns gastos que podem ser tranqüilamente reduzidos ou eliminados.

"Portanto, gravem na argila cada uma das coisas passíveis de despesa. Selecionem as necessárias, além de outras cujo custo não ultrapasse nove décimos de seus rendimentos. Cancelem o resto e considerem-no apenas como uma parte dessa grande multidão de desejos que não podem ser satisfeitos. Não sintam remorsos por isso.

"Façam um orçamento para as despesas imprescindíveis. Não toquem naquele décimo que está engordando sua bolsa. Encarem o crescimento de suas economias como um belo pro­pósito de vida. Procurem trabalhar com o orçamento estabele­cido, procurem ajustá-lo de modo que funcione em seu favor. Busquem torná-lo um colaborador na defesa de suas crescentes reservas."

Nesse momento um dos estudantes, usando uma roupa ver­melha e dourada, levantou-se e disse:
— Sou um homem livre. Acredito ser meu direito gozar das boas coisas da vida. Por isso, rebelo-me contra a submissão a um orçamento que determina exatamente quanto devo gastar e em quê. Acho que isso eliminaria muitos prazeres de minha vida, tornando-me não muito melhor que um burro de carga.
— Quem, meu amigo — replicou Arkad —, determinaria o seu orçamento?
— Eu mesmo o faria — respondeu o homem que protestava.
— Se um burro de carga fizesse seu próprio orçamento, teria incluído nele jóias, mantos e pesadas barras de ouro? Claro que não. Ele não precisaria senão de feno, grãos e um saco de água para atravessar o deserto.

"O propósito de um orçamento é ajudá-los a juntar dinheiro. Uma maneira de garantir que vocês consigam o necessário e, na medida em que se mostrem acessíveis, seus outros desejos. É capacitá-los a perceber seus mais profundos anseios, defenden­do-os contra aquisições meramente casuais. Como uma luz brilhando numa caverna escura, o orçamento deixa a descoberto os vazamentos em suas bolsas, dando-lhes condições de es­tancá-los e destinar as despesas a propósitos definidos e gratificantes.

"Esta é, portanto, a segunda solução para a falta de dinheiro. Façam o orçamento de suas despesas de modo que possam ter dinheiro para pagar pelo que é necessário, pelos prazeres e para satisfazer seus mais valiosos desejos sem despender mais do que nove décimos de seus ganhos."

A TERCEIRA SOLUÇÃO
Multipliquem seus rendimentos
Assim dirigiu-se Arkad aos alunos no terceiro dia:
— Vejam como o dinheiro está começando a entrar. Vocês se disciplinaram para reservar um décimo de todos os seus ganhos. Controlaram as despesas para proteger o tesouro crescente. Devemos agora considerar os meios para pôr esse tesouro para trabalhar e crescer.

"Disse-lhes, meus discípulos, que a riqueza de um homem não deve ser aquilatada pelas moedas que ele consegue juntar; ela se acha, sim, nos lucros que essa soma pode produzir, a torrente de ouro que flui continuamente para dentro de suas bolsas, conservando-as sempre bojudas. E afinal o que todo homem deseja, o que cada um dos presentes deseja — uma renda que não cesse de crescer, estejam vocês trabalhando ou viajando.

"Portanto, aqui está a terceira solução para a falta de dinheiro: Pôr cada moeda para trabalhar de modo que possa reproduzir-se como algodão nos campos e trazer-lhes lucro, um rio de riqueza fluindo constantemente para dentro de suas bolsas"

A QUARTA SOLUÇÃO
Proteja seu tesouro contra a perda
Assim falou Arkad para a sua turma no quarto dia:
— O infortúnio ama uma brilhante marca. O dinheiro que o homem poupa deve ser guardado com firmeza, do contrário corre o risco de perder-se. Logo, é prudente aprendermos a ma­nusear e proteger pequenos montantes antes que os deuses nos confiem maiores somas.

"Todo aquele que possui ouro guardado costuma ser in­duzido, na esperança de conseguir grandes somas, a fazer inves­timentos nos mais plausíveis projetos. Com bastante frequên­cia, amigos e parentes estão avidamente interessados nisso e incentivam-no a realizá-los.

"O primeiro princípio saudável de um investimento é a segurança do capital aplicado, ou seja, o principal. É prudente cobiçar altos ganhos quando o principal corre perigo? Claro que não. O castigo pelo risco é a provável perda. Estudem cuida­dosamente, antes de fazerem uso de seu tesouro, cada promes­sa de que ele possa ser recuperado com segurança. Não se deixem enganar pelo romântico desejo de fazer fortuna rapida­mente.

"Antes de emprestá-lo a quem quer que seja, certifiquem-se da capacidade do beneficiário em devolvê-lo e de sua reputação como bom pagador, para que não estejam, inadvertidamente, fazendo um presente de algo tão arduamente conquistado.

"Antes de destiná-lo a um investimento em qualquer campo de negócios, acautelem-se contra todos os perigos possíveis.

"Meu primeiro investimento foi uma tragédia. Depositei minhas economias de todo um ano nas mãos do oleiro Azmur, que na época viajava por mares distantes e me propusera com­prar junto aos fenícios em Tiro jóias da mais alta qualidade. Quando voltasse, nós as venderíamos e dividiríamos os lucros. Os fenícios comportaram-se como salafrários e venderam-lhe pedaços de vidro. Meu tesouro se perdeu. Hoje minha expe­riência teria me mostrado imediatamente a tolice de confiar a um oleiro a tarefa de comprar jóias.

"Por isso acho-me à vontade para aconselhar-lhes: não con­fiem demasiadamente em seus próprios conhecimentos, porque podem estar destinando seus tesouros a investimentos perigo­sos. Procurem antes de tudo a opinião em geral correta das pessoas acostumadas com negócios e lucros.

"Esta é, portanto, a quarta solução para a falta de dinheiro, e de grande importância, pois previne que suas economias vão por água abaixo no momento depois de terem crescido tanto. Prote­jam seus tesouros contra a perda, investindo onde o principal esteja a salvo, onde possa ser reivindicado sempre que o desejarem e onde fique claro para vocês que vão realmente conseguir uma bela renda. Consul­tem homens experimentados. Sigam a opinião daqueles que lidam habitualmente com dinheiro. Deixem que o tirocínio deles proteja seus tesouros contra os investimentos de alto risco."

A QUINTA SOLUÇÃO
Façam do lar um investimento lucrativo
"Que homem não se sentiria feliz em poder comer os figos de suas próprias figueiras e as uvas de suas próprias videiras? Ter o seu próprio domicílio, com um pedaço de chão disponível para cuidar e sentir orgulho, dar confiança ao coração e maior ânimo a todos os seus esforços. Por isso, recomendo a todos os homens que tenham seu próprio teto, a fim de contar com um abrigo para si e para os seus.

“Posso lhes assegurar, meus discípulos, que os emprestadores de dinheiro vêem com bons olhos os desejos do homem que procura um lar e um pedaço de terra para a família. Poderão conseguir facilmente o empréstimo para contratar o fabricante de tijolos e o construtor, se tiverem condições de apresentar uma parte razoável da soma necessária para tão louvável propósito”.

“Quando a casa estiver pronta, poderão pagar ao emprestador de dinheiro com a mesma regularidade com que anteriormente acertavam seus aluguéis. Como cada pagamento irá paulatina­mente reduzindo a dívida com o emprestador de dinheiro, em poucos anos não estarão devendo mais nada a ele”.

“Seus corações se sentirão então felizes, porque estarão legi­timamente na posse de um bem estável e valioso, cuja única despesa serão os impostos reais”.

"Assim, muitas bênçãos recaem sobre o homem que tem sua própria casa. E isso reduzirá em muito suas despesas, permitin­do que uma parte maior de seus ganhos possa ser destinada aos prazeres e à satisfação de seus desejos. E aí está a quinta solução para a falta de dinheiro: Tenha o seu próprio lar."

A SEXTA SOLUÇÃO
Assegurem uma renda para o futuro
Arkad começou a sexta aula com estas palavras:
—A existência de todo homem vai da infância à velhice. Esse é o caminho da vida, e nenhum homem pode desviar-se dele a menos que os deuses o chamem prematuramente para o mundo do além. Por isso digo-lhes que cabe a todo homem providenciar uma renda condizente para os dias futuros, quando ele não for mais jovem, e providenciar que a família não fique na penúria, quando já não puder contar com ele para o seu conforto e sustento. Esta lição lhes ensinará a prover uma bela reserva para quando o próprio tempo os tiver tornado menos capazes de aprender.

"Pode comprar casas e terras para esse propósito. Se pruden­temente escolhidas em função de sua utilidade e valor futuros, permanecerão valorizadas, com possibilidade de ótimos ren­dimentos e até de encontrar excelentes compradores, se for o caso de vendê-las.

"Pode confiar uma pequena soma ao emprestador de di­nheiro e aumentá-la em períodos regulares. Os juros que oemprestador acrescenta ao capital logo o tornará maior.

A SÉTIMA SOLUÇÃO
Aumente sua capacidade para ganhar
"O desejo é a condição para a realização. Os desejos devem ser fortes e definidos. Desejos gerais não passam de vagas aspirações. O ho­mem que deseja ser rico manifesta um pequeno propósito. O homem que deseja cinco moedas de ouro manifesta um propó­sito tangível, passível de ser buscado. Depois de ter alimentado seu desejo por cinco moedas de ouro com a força de propósito necessária, pode então procurar maneiras similares para obter dez moedas, vinte moedas, mil moedas, até que finalmente se torna rico. Depois de aprender a garantir um pequeno, mas definido, desejo terá suficiente experiência para garantir um outro de maior amplitude. Este é o processo através do qual a riqueza é acumulada: primeiro pequenas somas, depois maiores, à medida que o homem aprende e se torna mais capaz.

Naqueles velhos tempos em que eu não passava de um pobre escriba, gravando sobre tabuinhas de argila em troca de algumas poucas moedas de cobre por dia, observei que outros trabalhadores produziam mais do que eu e eram mais bem pagos. Por isso, resolvi que seria o melhor em minha profissão. Não demorei muito a descobrir a razão do grande sucesso deles. Comecei a ter mais interesse pelo trabalho, a concentrar-me mais nas tarefas, a ter mais persistência em meus esforços. Com o tempo, poucos homens podiam igualar minha produção diária. Manten­do um razoável ritmo de trabalho, minha crescente habilidade foi recompensada, e não precisei procurar por seis vezes meu patrão em busca de reconhecimento.

"Quanto mais conhecimentos adquirirmos, mais poderemos ganhar. O homem que busca aprender sempre mais sobre sua profissão será ricamente recompensado. Se for um artesão, deve informar-se sobre os métodos e ferramentas utilizados por um companheiro de maior perícia no mesmo ramo. Se trabalha com a lei ou com a assistência médica, pode consultar e trocar infor­mações com outros da mesma atividade. Se é um comerciante, deve continuamente pesquisar boas mercadorias passíveis de serem vendidas a preços mais baixos.

"Os negócios humanos mudam e aperfeiçoam-se, porque cidadãos entusiasmados estão sempre procurando melhorar a própria habilidade a fim de servirem com mais eficiência e qualidade aqueles de que dependem. Por isso sugiro a todos os homens que se ponham na linha de frente do progresso e não fiquem parados, sendo passados para trás.

"Assim, o sétimo e último remédio para a falta de dinheiro é cultivar suas próprias aptidões, estudar e somar conhecimentos, tor­nar-se mais habilidoso e agir sempre respeitando a si mesmo. Dessa forma,adquirirá suficiente autoconfiança para realizar seus mais acalentados desejos”.

"São essas, portanto, as sete soluções para a falta de dinheiro, que, em função da experiência acumulada durante uma longa e bem-sucedida vida, julgo poder comunicar a todos os homens que desejam riqueza”.

"Há mais ouro na Babilônia, caros discípulos, do que pode sonhar qualquer um de vocês. Há abundância para todos”.

"Vão e pratiquem essas verdades, para que possam prosperar e enriquecer continuamente, como é de seu direito”.

AS CINCO LEIS DE OURO
I. O ouro vem de bom grado e numa quantidade crescente para todo homem que separa não menos de um décimo de seus ganhos, a fim de criar um fundo para o seu futuro e o de sua própria família.
II.0 ouro trabalha diligente e satisfatoriamente para o homem prudente que, possuindo-o, encontra para ele um emprego lucrativo, multiplicando-o como os flocos de algodão no campo.
III. O ouro busca a proteção do proprietário cauteloso que o investe de acordo com os conselhos de homens mais experimentados em seu manuseio.
IV. O ouro foge do homem que o emprega em negócios ou propósitos com que não está familiarizado ou que não contam com a aprovação daqueles que sabem poupá-lo.
V. O ouro escapa ao homem que o força a ganhos im­possíveis ou que dá ouvidos aos conselhos enganosos de trapaceiros e fraudadores ou que confia em sua pró­pria inexperiência e desejos românticos na hora de in­vesti-lo.

" 'Devido a meus infortúnios, tentativas e êxitos, pude repe­tidas vezes, meu pai, provar a sabedoria das cinco leis de ouro e ver em cada um desses momentos como estavam certas. Para quem não conhece essas leis, o dinheiro não aparece tão freqüentemente e, quando aparece, vai rapidamente embora. Já para aqueles que não hesitam em utilizá-las o dinheiro aparece e trabalha para eles como um escravo.'

Sem sabedoria, o ouro pode ser rapidamente perdido pêlos que o têm, mas, com sabedoria, o ouro pode ser adquirido pêlos que não o têm.

"Todo homem que separar religiosamente um décimo de seus ganhos e investi-los sabiamente criará um considerável fundo que não somente lhe trará um vultoso rendimento futuro, como também protegerá sua família depois que os deuses o chamarem para o mundo da escuridão. A lei afirma igualmente que o ouro vem de bom grado para tal homem. Pude certificar-me disso em minha própria vida. Quanto mais ouro acumulei, mais pronta­mente ele veio até mim e em quantidades crescentes. As moe­das de ouro que economizei ganham ainda mais moedas, como acontecerá com vocês mesmos, e seus lucros continuam ganhan­do. Esse é o resultado da primeira lei."

Para o homem que conserva separada uma determinada quantidade de ouro sempre surgem oportunidades para um empreendi­mento lucrativo. À medida que os anos passam, ele se multiplica das maneiras mais surpreendentes."

Sábio, aliás, é aquele que investe o seu dinheiro de acordo com o conselho dos homens acostumados a lidar com finanças."

“É melhor uma pequena cautela do que um grande remorso”

É realmente engraçado começar a acumular di­nheiro que você não quer gastar. Há mais prazer em ver aumentar uma reserva de dinheiro supostamente excedente do que poderia haver gastando-a.

Difícil de acreditar, mas absolutamente verdadeiro. Todas as nossas dívidas sendo gradualmente pagas e nossos investimentos crescendo ao mesmo tempo. Além disso vivíamos, financeiramente falando, muito melhor do que antes. Quem acreditaria haver uma diferença de tal monta em termos de resultado entre seguir um plano financeiro e simplesmente deixar-se levar pela corrente.

Hadan Gula tirou-o de seus pensamentos.
— Por que trabalha tão arduamente, acompanhando sempre sua caravana em longas viagens? Nunca arranja tempo para gozar a vida?
— Gozar a vida? — repetiu Sharru Nada, sorrindo. — O que você faria para gozar a vida se estivesse em meu lugar?
— Se fosse tão rico quanto você, levaria a vida de um príncipe. Nunca montaria um animal para cruzar o tórrido deserto. Gas­taria os siclos tão rapidamente quanto viessem para minha bolsa. Usaria as mais caras túnicas e as jóias mais raras. Seria uma vida a meu gosto, algo que realmente valeria a pena.
Os dois riram.
— Seu avô não usava jóias — disse Sharru Nada, pensativo. Depois continuou, brincando: — Não reservaria tempo algum para trabalhar?
— O trabalho foi feito para escravos — respondeu Hadan Gula.

Sharru Nada mordeu os lábios, mas não fez nenhuma réplica, seguindo em silêncio até que a trilha os tivesse levado ao de­clive. Ali freou a montaria e apontou ao longe o vale verdejante.

Mas como podia ajudar um jovem enfatuado como este, com suas idéias de perdulário e as mãos cheias de jóias? Podia oferecer trabalho à vontade para homens com boa disposição, mas não para aqueles que se presumiam superiores demais para exercerem um determinado ofício. Entretanto, devia a Arad Gula a obrigação de fazer realmente alguma coisa, não uma tentativa sem entusiasmo.

"Como vê, o trabalho, no tempo de minhas maiores desgra­ças, provou ser meu melhor amigo. Minha disposição para o serviço capacitou-me a escapar de ser vendido para fazer parte das turmas de escravos nas muralhas. Isso também impres­sionou seu avô, que me escolheu como seu sócio."

— O trabalho é a chave secreta de meu avô para os seus siclos de ouro? — perguntou Hadan Gula.
— Era a única chave que ele possuía quando o conheci — replicou Sharru Nada. — Seu avô adorava o trabalho. Os deuses apreciaram seus esforços e o recompensaram com liberalidade.
— Começo a ver — disse Hadan Gula, pensativo. — O trabalho atraiu seus muitos amigos, que admiraram sua diligên­cia e o sucesso que isso trouxe. O trabalho trouxe-lhe o respeito de que tanto gozou em Damasco. O trabalho trouxe-lhe todas essas coisas que aprovei. E eu que achava que o trabalho somen­te convinha a escravos.

— A vida é repleta de prazeres que os homens podem gozar — comentou Sharru Nada. — Cada um deles tem o seu lugar. Fico contente com que o trabalho não esteja restrito a escravos. Fosse assim, eu me veria privado de meu maior prazer. Não há nada que me dê uma soma maior de satisfação do que o trabalho.

NAS PÁGINAS de história não existem cidades mais glamourosas do que a Babilónia. Seu próprio nome evoca visões de riqueza e esplendor. Seus tesouros de ouro e jóias eram fabulo­sos. Alguém logo imaginaria que uma cidade próspera como essa só poderia estar situada numa pujante região tropical, cercada por ricos recursos naturais, como florestas e minas. Pois não era o caso. Ela estava localizada junto ao rio Eufrates, num extenso e árido vale. Não tinha florestas nem minas — e muito menos pedras para construção. Não se achava sequer próximo a uma daquelas estradas comerciais da época. Como se não bastasse, a chuva era minguada para o cultivo de grãos.

A Babilónia é um impressionante exemplo da capacidade do homem para alcançar grandes objetivos, utilizando o que quer que estivesse à disposição. Todos os recursos que sustentavam essa grande cidade foram desenvolvidos pelo homem. Todas as suas riquezas foram por ele produzidas.

Como cidade, a Babilónia não existe mais. Quando essas estimulantes forças humanas que a construíram e mantiveram por milhares de anos se dissiparam, ela logo se tornou uma ruína desabitada. Sua localização fica na Ásia, a cerca de seiscentas milhas a leste do canal de Suez, bem ao norte do golfo Pérsico. Sua latitude é mais ou menos trinta graus acima do Equador, praticamente a mesma de Yuma, no Arizona. O clima é parecido com o dessa cidade americana, quente e seco.

Os babilônios eram financistas e homens de negócios talen­tosos. Até onde podemos saber, foram os inventores do dinheiro como meio de troca, das notas promissórias e dos títulos de propriedade escritos.

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5 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Tom

Fantástica, essa mensagem, os ensinamentos coincidem com os dos economistas que nos ensinam inteligência financeira,e que deveria constar no curriculum escolar de todos os países.A ordem no mundo é, gaste;ostente, compre,compre não interessa o quê, o amanhã; aproveite o agora, enfim você merece e por aí vai ...

Obrigada pelo blog

Anônimo disse...

excelent, indeed

marcio sousa disse...

Obrigado!

Meire regina mello de souza disse...

Amei está postagem
Aliás estas séries que você compartilhou está surpreendente,pena que não te encontrei quando era mais jovem, hoje eu já estaria com uma velhice garantida mas como dizem o discípulo só encontra o mestre na hora certa obg tom

Meire regina mello de souza disse...

Amei está postagem
Aliás estas séries que você compartilhou está surpreendente,pena que não te encontrei quando era mais jovem, hoje eu já estaria com uma velhice garantida mas como dizem o discípulo só encontra o mestre na hora certa obg tom